Tem tubeless na sua bicicleta? está a pensar começar a utilizá-lo? tem dúvidas sobre a sua utilização e montagem? Não se preocupe, porque nesta segunda parte do curso de mecânica BiciLAB vamos resolver tudo isso.
Já está aqui o segundo episódio do curso de mecânica da BiciLAB com a Eltin Cycling. Se viste o primeiro vídeo, de certeza que te foi muito útil e esperamos que já tenhas aplicado alguma das dicas. Se ainda não o viste, não te preocupes, aqui tens o link para descobrires os 7 ajustes básicos para a tua bicicleta que a BiciLAB partilhou no primeiro episódio.
Desta vez, chegou o momento de falar de “tubeless”, um conceito que muita gente já conhece ou utiliza na sua bicicleta, mas que continua a levantar dúvidas e a gerar diferentes opiniões, sobretudo no que toca à sua utilização e manutenção. Aqui entram os ciclistas que preferem usar câmara, os que experimentaram o tubeless e o tornaram no seu principal aliado contra furos, ou os que, sem se posicionarem claramente, costumam alternar entre ambos e aproveitam as vantagens de cada um consoante a modalidade ou a situação.

O tubeless surgiu como uma evolução do sistema tradicional de uso de câmara para encher o pneu. Melhor dizendo, mais do que uma evolução, significou a eliminação da própria câmara, o que é algo diferente. Consiste em ter uma roda hermética e bem selada — seja através de uma fita de aro ou com uma jante já preparada para tubeless —, inserir o líquido selante tubeless no interior do pneu, que é o responsável por vedar completamente e impedir a fuga de ar em caso de furo, e montar o pneu para o encher e garantir que fica perfeitamente talonado.
Esta foi uma explicação breve e geral de como funciona o sistema tubeless, sobre o qual já falámos neste blog no artigo: “Sistema tubeless: O que preciso para tubelizar as minhas rodas?”. Embora possa parecer complicado, não te preocupes, porque precisamente neste vídeo do curso de mecânica da BiciLAB o objetivo é explicar passo a passo como tubelizar uma roda de forma fácil, tudo de forma muito visual e prática. Dá uma vista de olhos! E como sempre, para resumir e complementar, em baixo contamos-te os destaques com mais detalhe.
Que elementos estão envolvidos na montagem de pneus sem câmara de ar numa roda de bicicleta?
Antes de mais, deves saber quais os elementos envolvidos e o que precisas para tubelizar as rodas da tua bicicleta:
- Fitas e fundos de jante: Uma fita tubeless serve para converter uma jante em “tubeless ready”, ou seja, preparada para ser tubelizada. A sua função é tornar a jante hermética. Existem em diferentes larguras e medidas, por isso deves verificar qual a adequada para a tua roda. Uma recomendação útil é escolher uma fita ligeiramente mais larga do que a jante, para cobrir melhor os flancos e vedar com mais eficácia.
- Válvulas: Como não há câmara de ar, tens de colocar válvulas especiais por onde vais introduzir o ar e fazer a manutenção. Já falaremos mais sobre isso.
- Pneus tubeless: Para tubelizar uma roda, é essencial que o pneu seja “tubeless ready”, ou seja, desenhado para ser utilizado sem câmara. Atenção! Isto não significa que não possa ser usado com câmara — os pneus tubeless podem perfeitamente ser usados com câmara quando necessário. O mesmo não acontece com pneus que não sejam “tubeless ready”, pois estes só podem ser usados com câmara.
- Líquido tubeless: Também chamado de líquido selante ou líquido anti-furo, é o responsável por selar rapidamente a roda em caso de furo.
- Um punção ou uma chave de fendas para fazer o furo na fita tubeless onde vais inserir a válvula.
- Uma bomba de pé ou cartuchos de CO2 com adaptador para encher o pneu e fazer com que talone.

Passos para tubelizar uma roda de bicicleta.
Uma vez reunido tudo o que precisas para iniciar a tubelização de uma roda, é hora de pôr mãos à obra.
1) Colocar a fita tubeless ou a fita de jante.
Começa por cobrir bem o fundo da jante com a fitas e fundos de jante. Este processo vai transformar uma jante de bicicleta numa jante “tubeless ready”, ou seja, pronta para ser tubelizada. Atualmente, existem rodas com jantes já desenhadas para serem tubelizadas, pelo que, nesses casos, não seria necessário aplicar fita tubeless.

Mas agora vamos começar do zero, partindo do princípio que tens uma roda normal e tens de aplicar a fita ou fundo de aro para poderes tubelizar. O primeiro passo seria então pegar na fita tubeless que vais utilizar. Embora dependa da espessura da própria fita, uma boa recomendação é dar duas voltas completas à roda para vedar bem a jante. Podes começar do lado oposto à válvula e passar duas vezes por todos os pontos da roda, ou seja, dar duas voltas.
Ao colocares a fita tubeless, é muito importante que mantenhas tensão para que adira perfeitamente. Ao mesmo tempo, vai verificando se cobre uniformemente toda a largura da jante. Depois de dares as duas voltas, corta com uma tesoura e certifica-te de que a zona onde começaste e terminaste fica muito bem colada para evitar a entrada de líquido. Quando já estiver bem colocada e colada, passa com os dedos fazendo pressão para garantir que a parte lateral — onde talona o pneu — fica bem aderente. Não te preocupes tanto com a zona central, porque a própria pressão do ar irá encarregar-se de pressionar bem a fita posteriormente.

2. Coloca a válvula tubeless na tua roda.
Para colocares a válvula tubeless, deves primeiro encontrar o orifício destinado a ela e perfurar a fita tubeless. É melhor fazê-lo de dentro para fora e certificando-te de que não rasga para além do espaço necessário à válvula. Não te preocupes em fazer o furo demasiado grande, pois ao inserires a própria válvula, acabarás por abrir o espaço necessário.

Vais ver que a válvula normalmente vem com uma porca e uma borrachinha. Para passá-la pelo orifício, é necessário removê-las e voltar a colocá-las por fora depois de introduzires a válvula. A borracha não tem uma grande função de vedação, é apenas uma pequena ajuda, mas a porca deve ser bem apertada com a mão para vedar bem a zona. É aconselhável fazê-lo manualmente e não com ferramentas, pois se em algum momento durante uma saída quiseres mudar para câmara, podes não conseguir remover a válvula se estiver demasiado apertada.
A parte superior da válvula é o núcleo, que contém o mecanismo que permite a entrada e saída de ar. Nas válvulas tubeless, o núcleo é amovível, o que permite introduzir o líquido selante através da válvula quando necessário. Para isso, as válvulas tubeless costumam vir com uma pequena chave que ajuda a montar e desmontar o núcleo facilmente.

3. Monta o pneu e introduz o líquido tubeless.
Depois de colocares a fita tubeless ou o fundo de aro e a válvula, procede à montagem do pneu por um dos lados, deixando o outro livre para aplicar o líquido selante. Este líquido, também conhecido como líquido tubeless ou líquido anti-furo, é o responsável por vedar o pneu assim que ocorre um furo, impedindo que a roda perca ar.
Pode ser aplicado diretamente no interior do pneu depois de montado de um lado, ou pela válvula sem núcleo, como referido no ponto anterior, com o pneu já totalmente montado. O mais recomendável, ao tubelizar uma roda pela primeira vez, é aplicar o líquido no interior do pneu ainda meio montado e, para a manutenção e reposição periódica de líquido, fazê-lo através da válvula. Mas, por exemplo, se o pneu for muito difícil de talonar, pode ser melhor montá-lo primeiro, sem o incómodo do líquido, e depois de talonado, aplicar o líquido pela válvula. Podes fazer como preferires.
Uma dúvida muito comum é a quantidade de líquido tubeless que se deve colocar em cada roda. Depende do tipo e tamanho da roda, mas, de forma geral, para uma roda de BTT de 29’’ com largura de 2,20–2,25, o mais recomendável seria aplicar entre 100 e 120 ml numa recarga completa.

Depois de colocares o líquido, termina de montar o pneu em toda a roda. Podes fazê-lo com as tuas próprias mãos, se possível, ou com a ajuda de desmontáveis. Se vires que está difícil encaixar nalgum ponto, tenta destalonar e levar o pneu para o centro do aro no lado oposto, para que fique menos tenso e consigas encaixá-lo dentro da jante.

4. Encaixa o pneu da tua bicicleta.
Para talonar corretamente o pneu, tens de o encher com ar até ouvires os estalidos que indicam que está a encaixar nas diferentes partes da jante. Podes fazê-lo com uma bomba de pé, verificando sempre com o manómetro se a pressão é a adequada, ou, mais facilmente, com cartuchos de CO2, que enchem a roda em segundos. Um erro comum é encher demasiado a roda para tentar que talone o máximo possível. É verdade que o talonamento depende do volume de ar, mas é importante não excederes a pressão, pois isso não ajuda no talonamento — pelo contrário, pode mesmo fazer o pneu rebentar.

Depois de encheres a roda e achares que já talonou, verifica bem a linha do pneu para te assegurares de que ficou bem encaixado e que não há fugas em lado nenhum. Depois disso, faz a roda saltar e dá-lhe umas voltas para que o líquido se distribua bem por todo o interior do pneu.
E, depois disto, a tua roda estará pronta para montar na bicicleta e começares a desfrutar das vantagens do tubeless. Vais evitar muitos furos e intervenções mecânicas desnecessárias — mas atenção, deves fazer uma boa manutenção, renovando o líquido de tempos a tempos e recarregando sempre que aches necessário.

Manutenção do sistema tubeless.
Para começar, é importante saberes que o sistema tubeless é adequado para um uso regular e frequente da bicicleta, pois uma bicicleta com sistema tubeless parada durante muito tempo fará com que o líquido selante se acumule numa zona e seque, perdendo assim todas as suas propriedades.
O sistema tubeless necessita de uma manutenção adequada para funcionar corretamente. Essencialmente por causa da reparação de furos, o líquido vai-se consumindo e degradando com o tempo, pelo que convém ir repondo a cada 2 meses, aproximadamente. Para o reabastecer, a opção mais simples, como já foi referido, é retirar o núcleo da válvula e introduzir o líquido por aí. Além disso, a cada 6 meses é recomendável repetir todo o processo para limpar bem a roda e substituir completamente o líquido selante. Tem em conta que fatores como o calor e a quantidade de quilómetros que fazes com a bicicleta aceleram a degradação do líquido, por isso, nos meses mais quentes e de maior uso da bicicleta, é aconselhável encurtar estes prazos de revisão e manutenção.

Esperamos que tudo isto te seja de grande ajuda na hora de tubelizares as tuas rodas. Se quiseres saber mais sobre os diferentes elementos que intervêm na tubelização, o seu funcionamento e manutenção, recomendamos que dês uma vista de olhos ao artigo: “Sistema tubeless: O que preciso para tubelizar as minhas rodas?”.
Chegamos assim à segunda parte do curso de mecânica da BiciLAB e da Eltin Cycling. Continuamos!
#KeepOnCycling